Terça-feira, 27 Junho 2017
SOLENIDADE EM HOMENAGEM A VIDA DE TIRADENTES

Em concorrida solenidade ontem, 21 de abril, na Praça Tiradentes em Curitiba – PR, o Grande Oriente do Brasil – Paraná, por meio de seu Grão-Mestre Luiz Rodrigo Larson Carstens, proferiu o discurso alusivo a data, em nome das Obediências tradicionais do Estado, evento que contou com a presença das autoridades civis e militares das quais destacamos: o Delegado de Polícia Federal Ir. Wagner Mesquita, Secretário de Estado da Segurança Pública, representando o Exmo Sr. Governador Beto Richa; o Gen. de Brigada Carlos Alberto Mansur, Comandante da 5ª Região Militar, acompanhado do Gen. de Brigada Flávio Marcus Lancia Barbosa e Gen. de Brigada Alécio Oliveira da Silva, nomeado substituto Comandante da 5ª Artilharia Divisionária; o Cel. PM Maurício Tortato, Comandante-Geral da Polícia Militar do Paraná, acompanhado de seu Subcomandante Geral Cel. PM Arildo Luiz Dias, da Chefe do Estado Maior Cel. PM Audilene Rosa de Paula Dias da Rocha e do Cel. Juceli Simiano Junior, Comandante do Corpo de Bombeiros; o Delegado Julio Cezar dos Reis, Diretor da Polícia Civil do Paraná, o Cel. RR Renê Roberto Witeck, representando o Prefeito Gustavo Fruet; o Cel. Isaias de Farias, Presidente da Associação dos Oficiais do Paraná e Major Danilo dos Santos Teleche, do CINDACTA II; o Vereador Zé Maria, representando a Câmara de Vereadores de Curitiba; o Sereníssimo Ir. Valdemar Krestschemer, Grão-Mestre da Grande Loja do Paraná, o  Sereníssimo Ir. João Krainski Neto, Grão-Mestre do Grande Oriente do Paraná, o Pod.  Grão-Mestre Adjunto do GOB-PR, Ir. Gerald Koppe Junior, Veneráveis Mestres e Irmãos das Obediências, Militares Federais e Estaduais, Policiais Civis, alunos da Escola de Formação de Oficiais, da Escola de Soldados e do Colégio da Polícia Militar do Paraná; alunos e professores do Colégio Estadual Tiradentes e a comunidade curitibana que compareceu a esse significativo evento.
Fotos:

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Segue a íntegra do discurso alusivo ao Dia de Tiradentes.

Autoridades mencionadas pelo cerimonial.

Senhoras e Senhores, Bom dia!

Hoje não é apenas um feriado, um dia de descanso e de lazer. É o dia reservado à obra de Tiradentes, declarado Patrono Cívico da Nação Brasileira pela Lei nº 4.897 de 09 de dezembro de 1.965, sancionada pelo então Presidente da República Mal. Humberto de Alencar Castello Branco e que determina o culto à memória do glorioso republicano, nas Forças Armadas, nos estabelecimentos de ensino, repartições públicas, dentre outras instituições da sociedade brasileira. Segundo o art. 3º daquela lei:

“art. 3º - Esta manifestação do povo e do Governo da República em homenagem ao Patrono da Nação Brasileira visa evidenciar que a sentença condenatória de Joaquim José da Silva Xavier não é labéu que lhe infame a memória, pois é reconhecida e proclamada oficialmente pelos seus concidadãos, como o mais alto título de glorificação do nosso maior compatriota de todos os tempos”.

Cumprimentamos a todos os compatriotas que amam a nossa Pátria Brasil, o seu Estado, a sua cidade; os que lutam pelo direito e pela justiça, que não deixaram morrer a chama do espírito cívico e patriótico e que jamais deveria se apagar dos nossos corações. Igualmente, neste dia tão especial, estendemos as nossas homenagens ao Dia das Polícias Estaduais, Militar e Civil, aqui muito bem representadas, que diuturnamente defendem a causa da segurança pública, superando inúmeras dificuldades, muitas vezes com o sacrifício da própria vida. Tais Corporações são dignas de terem como Patrono o Alferes Tiradentes (Decreto-Lei nº 9.208, de 29 de abril de 1946).

Cumprimentamos, in memorian, o Alferes José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, motivo desse nosso encontro aqui e em muitos lugares do nosso Brasil. Aonde quer que esteja hoje, mais uma vez, especialmente nesses 51 anos, nos reunimos para reverenciar sua história de vida, sua visão de época e de mundo e os seus ideais de libertação do povo de toda forma de exploração, com destaque ao direito de expressar livremente o pensamento e de poder se organizar uma nação livre que espelha a grandeza e a cultura de seu povo.

Entusiasta e perseverante nos seus ideais, Tiradentes tinha a consciência de seus atos e também das consequências que poderiam advir, ao expor suas ideias perante o autoritarismo reinante e à autoridade daqueles que viriam a ser seus algozes, na pretensão de conter outras insurreições.
Certamente, o receio e o medo que todos nós temos diante das incertezas da vida, ele também teve. Contudo, não se intimidou em defender o seu ideal. Prosseguiu alicerçado na força de sua consciência, determinado a fazer o que acreditava que deveria ser feito, próprio de um cidadão cônscio e que cumpriu com os seus deveres, preocupado em ajudar a construir a história de seu tempo, sem vislumbrar interesses, troca de favores, cargos ou pompas tão comuns, ostensivos e ofensivos nesses dias que assistimos.
Pretendiam seus julgadores, com o seu enforcamento e a exposição de seu corpo dilacerado, sepultar os seus sonhos e também os daqueles que já não suportavam a prepotência e o autoritarismo do reino de Portugal sobre a então colônia do Brasil, e que sonhavam por um novo por vir, mas que não tinham a mesma coragem de expressão e de exposição como foi o exemplo dado por Tiradentes.

 A história revelou que seus executores não conseguiram calar suas palavras, sementes das vibrações de seus ideais libertários, e que o seu sangue derramado não foi em vão, pois germinou e influenciou muitas e relevantes ações da vida do Brasil, desde então. Para tanto, podemos citar a direta influência política que teve na Independência do Brasil, em 1822, pelo Maçom e Grão-Mestre Geral, D. Pedro I, 30 anos depois da morte de seu corpo, fato este que contou, fundamentalmente, com a organização e a mobilização da maçonaria brasileira, hoje aqui tão bem representada.

Outro fato histórico da vida pública brasileira que foi inspirado pelos ideais de liberdade sonhados por Tiradentes e que contribui para a consolidação de uma nação livre daquela velha monarquia que não valorizava o seu povo, foi a instituição de um regime de governo e de Estado que representasse uma nova esperança para todos e que ocorreu 97 anos depois da sua morte, com o advento da Proclamação da República em 1889, por Mal. Deodoro da Fonseca, também Grão-Mestre, e comprometido com os valores eternos e impregnados na trilogia da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade.

O tempo seguiu a sua marcha e já se vão 224 anos depois da sua morte, e hoje estamos diante de novas questões e grandes desafios da vida política e pública, ensejando o aperfeiçoamento e o fortalecimento das instituições para atenderem aos anseios e às demandas, cada vez maiores, do povo brasileiro que, por vezes, nos remetem aos mesmos fatores históricos e mazelas enfrentadas por Tiradentes no seu martírio: o homem, a sua liberdade e o seu direito.

Na dimensão da vida e da gestão pública atual, há muitos sinais de carência de ações e de bons republicanos, em todas as instâncias das organizações políticas, especialmente nos executivos e nas esferas parlamentares, que acima da honra de poder exercer elevados cargos, clamam que sejam vocacionados, responsáveis e comprometidos com as coisas da vida pública e o bem-estar do cidadão.

Ao lado dessa carência, que não limita as possibilidades materiais e que são fundamentais para a consecução da finalidade pública, verifica-se que os recursos nem sempre são suficientes para atender, naquele preciso momento, as necessidades urgentes e maiores da população, notadamente no campo da educação, da saúde, da segurança pública e da infraestrutura. Não bastasse isso, hoje, de igual necessidade, assistimos o crescimento do desemprego, levando ao desespero pais de famílias que não têm como e nem onde se  socorrerem, concorrendo  com portas fechadas no comércio, sem falar em uma conjuntura de crises institucionais e econômicas que assombram o país que clama por um novo rumo e que seja edificado com a argamassa da moral e dos princípios da administração pública contidos em nossa Constituição Federal.

Todos esses fatores contaminam a fé e a esperança da população e é nesse momento que recorremos às eternas lições de Tiradentes, que nunca desistiu de lutar por dias melhores.

Hoje, somos chamados a combater outras formas de exploração do homem pelo homem e que nos aprisionam: o esvaziamento dos princípios virtuosos, dos bons costumes, os desvios éticos e morais que brotam no egoísmo, na vaidade e se enraízam no plano dessa finita e breve dimensão da vida, os quais têm sido a causa de tantos conflitos, da desigualdade, da desesperança e da indignação  das pessoas de bem.

Nesse contexto, vemos com entusiasmo que estamos passando por um momento de profunda transformação na vida pública, nascendo uma nova geração consciente de suas responsabilidades e antevemos que, em breve, não haverá espaço para discursos oportunistas, vazios e dissociados da realidade, que não tenham fundamentos em objetivos e metas e que não sejam coerentes e consequentes por quem os profere, pois o seu histórico de vida falará por si próprio.

Acreditamos que as lições desse glorioso republicano Tiradentes, no momento de seu martírio, com uma corda no pescoço vendo a vida se findar, reverberam por todos os cantos deste país, concitando a todos à reflexão, especialmente aqueles que possuem a representatividade e são mandatários do povo, escolhidos para servir a sua comunidade, para que esses apelos patrióticos e de ideais, sejam imorredouros e continuem a inspirar coragem, o amadurecimento e o aculturamento político da sociedade, sem os quais continuaremos, cada qual, carregando a sua própria corda no pescoço, representando o aprisionamento da nossa cegueira, omissão, falta de memória e de respeito aos nossos vultos, além dos compromissos com a nossa pátria, que a todos os dias clama pela Ordem e pelo Progresso.

Que o sacrifício de Tiradentes seja eternamente lembrado, para que possamos renascer como uma Nação verdadeiramente Livre e de Bons Costumes - sempre Justa e Perfeita!
Muito Obrigado.

 

Valdemar Krestschemer Luiz Rodrigo Larson Carstens João Krainski Neto
Grão-Mestre da GLP Grão-Mestre do GOB-PR Grão-Mestre do GOP